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Romário Subindo no Telhado - Mais 5 joguinhos

Romário driblou tanto na vida, driblou até as contas dos que não acreditavam que seria capaz de chegar ao milésimo gol. Não foi parado por nenhum zagueiro, por nenhum crítico que condenou sua insistência em continuar jogando bola.

Mas foi parado por uma dor que nasceu há três meses, e aos poucos foi tomando as articulações de seu pé direito, tão massacrado pelos chutes na bola, pisões e campos esburacados. Hoje, Romário não consegue mais jogar futebol. Não consegue dançar funk ou hip-hop. Mal consegue dirigir.

Romário não consegue dizer nem mesmo se ainda volta a jogar bola. Em entrevista exclusiva, por telefone, o jogador do Vasco, a caminho de mais um exame, garantiu que a luta contra a dor tem uma razão mais importante do que a volta às pistas de dança ou campos de pelada. Ele ainda quer vestir a camisa do Vasco talvez umas cinco vezes, nem que seja para ficar no banco e jogar cinco minutos.

E não tem vergonha de explicar por que tanta persistência dessa vez: está atendendo a um pedido do filho Romarinho, que não aceita que o último jogo do pai tenha possa ter sido o da derrota de 4 a 0 para o Botafogo, no dia 14 de junho, pelo Brasileiro. Faz sentido.

Confira a entrevista na íntegra:

Você finalmente encerrou a carreira?
Romário - Acho que não. Meu pé é que está ferrado.

Qual é o problema?
Romário - Eu tenho tendinite, bursite, sinusite, um monte de ite (risos). Talvez, tenha até que fazer uma cirurgia.

Qual é a causa da lesão?
Romário - Não torci o tornozelo, mas ninguém consegue saber o que aconteceu. Comecei a sentir essa dor há algum tempo e, quando melhorei e comecei a treinar, ela voltou a incomodar. É uma dor que vai parar na cabeça...

Há alguma previsão para a sua volta aos campos?
Romário - Não. Já fui até a um angiologista, doutor Marcelo Ferreira, porque havia suspeita de um problema circulatório. Fiz até aquele exame, doppler, mas o resultado saiu na hora e, graças a Deus, não acusou nada de anormal.

Qual é o próximo passo?
Romário - Hoje (quinta-feira), fui a uma especialista em tornozelo, doutora Verônica Viana. Vou fazer agora uma ressonância e mais três exames que ela pediu. Talvez, tenha que fazer uma artroscopia. Estou há três meses com esse problema. Nos primeiros 40 dias, eu ainda conseguia treinar. Agora, não dá mais.

Onde é a dor, exatamente? É no tornozelo?
Romário - É nas articulações do pé direito, o mesmo que operei em 1990. São 25 anos traumatizando o local, né? Jogo no campo, na areia, em grama sintética...

Teme se aposentar antes do prazo previsto?
Romário - Antes do previsto? Era para eu ter parado há uns 12 anos! Eu gostaria muito de parar de repente, sem que percebessem, mas me considero em condições de jogar mais umas partidinhas. Se não der mais, paciência.

O que significa jogar mais umas partidinhas?
Romário - Não chega a cinco.

Cinco? Então, você praticamente parou...
Não escreve isso, não. Se eu jogo 10, a matéria vai ficar furada. Vai que disputo três jogos e meto 15 gols... E aí? Mas posso dizer que a carreira está acabando mesmo. Estou encerrando.

Por que ainda quer jogar essas cinco partidinhas?
Romário - Por agradecimento aos torcedores e ao Vasco. Quer saber uma coisa? Se eu estivesse legal do pé, já teria parado de uma vez.

Não acha que o time está engrenado sem você?
Romário - Está. E eu não quero atrapalhar. Se eu entrar em campo cinco minutos de cada jogo, já estará bom demais.

Ué?!? Ficar no banco?

Romário - Qual é o problema? Já passei dessa fase. Estou com 41 anos e sei me colocar. O Celso Roth é um cara do c... A gente tinha que ter se conhecido antes.

O que faz você, sentindo dor no pé, querer ainda entrar em campo no máximo cinco vezes, mesmo ficando no banco?
Romário - Não posso parar depois de ter tomado uma porrada de 4 a 0 na cabeça. No meu último jogo, perdi de quatro para o Botafogo. Nem meu filho quer que eu pare agora.

O Romarinho fez esse pedido a você?
Romário - Fez. Ele disse: 'pai, você não parou não, né? Você perdeu de quatro... Faz mais uns joguinhos'. Meus pais é que ficam no meu ouvido, querendo que eu continue.

Houve uns comentários recentemente na CBF de que você seria convocado para um jogo das eliminatórias, para se despedir da Seleção. Isso é verdade?
Romário - Estou em uma idade em que não posso passar vergonha. Não posso fazer graça para os outros. O que vou fazer na Seleção? Passar ridículo?

O que achou das farpas trocadas entre o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o Ronaldo?
Romário - Não me meto nos problemas dos outros, pois já tenho muitos para resolver. O presidente falou o que tinha que falar, e o Ronaldo respondeu como quis.

Apesar de não conseguir descobrir o que tem no pé, você está bem-humorado. Não está abatido?
Romário - Se fosse há três ou quatro anos, eu estaria triste. Estou aceitando isso, mas é claro que é complicado... Gosto de jogar minhas peladas e sinto dor até quando dirijo. Nem dançar mais meu hip-hop e meu funk eu estou podendo.

Consegue namorar?
Romário - Estou velho para algumas coisas, mas, para namorar, estou cada vez melhor. A Isabella é quem diz isso. Com essa dor que venho sentindo, fica difícil namorar em pé, mas foi por isso que inventei outras posições (risos). Há muitas formas.

Terra

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