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Grandes folclóricos: Higuita



ACHEI! Higuita lamenta falta de um sucessor

Na Venezuela, goleiro colombiano afirma que negócio acabou com o futebol-espetáculo

O colombiano René Higuita é o tipo de goleiro que até pode causar calafrio nos torcedores do time pelo qual ele atua, mas diverte todos os outros. Hoje jogando pelo Guaros de Lara, quarto colocado do Campeonato Venezuelano, ele garante que mantém o seu estilo ousado e acrobático, que rendeu momentos antológicos, como o "escorpião" no amistoso da seleção do seu país contra a Inglaterra em Wembley, em 1995 (assista ao vídeo ao lado).

Mas já não resta muito tempo de carreira ao goleiro, que está com 41 anos. E ele lamenta não ter para quem passar o bastão.

- Não tenho visto outro goleiro que faça o mesmo que eu. O negócio tirou um pouco do espetáculo do futebol, é uma pena - afirma Higuita, em entrevista por telefone ao GLOBOESPORTE.COM.

O goleiro garante que até hoje, em todos os estádios aonde vai, ouve pedidos para que repita o escorpião. E responde que é apenas uma questão de tempo.

- Nunca mais repeti aquela jogada, mas continuo treinando. Quando a oportunidade aparecer, vou fazer o escorpião. E ela vai aparecer, pode apostar.

Agência
"Nunca mais repeti aquela jogada, mas continuo treinando. Quando a oportunidade aparecer, vou fazer o escorpião. E ela vai aparecer, pode apostar"
René Higuita


Higuita diz que queria atrair a torcida aos estádios quando começou com o seu futebol-espetáculo. O difícil era usar esse argumento com os atacantes adversários, que vez ou outra passavam pela humilhação de serem driblados por um goleiro.

Por isso, os insultos não eram raros no início da carreira. Mas até mesmo os adversários se acostumaram ao estilo fanfarrão.

- Eles perceberam que era a minha maneira de atuar, que não era palhaçada. Eu fazia as jogadas ganhando por 4 a 0, empatando em 0 a 0 ou mesmo perdendo.


Elogios a Ceni e Taffarel

Ao falar do Brasil, adversário da Colômbia no próximo domingo pelas eliminatórias, Higuita demonstra uma admiração genuína. Conta que até hoje fica impressionado com o poder de decisão da seleção pentacampeã, que "mantém a sua filosofia ofensiva e está sempre chegando à final e ganhando".

Ao ser perguntado sobre Rogério Ceni, o colombiano diz que o conhece e pergunta se ele já o ultrapassou na disputa pela artilharia entre os goleiros de todos os tempos.

- Se já me ultrapassou, dou meus parabéns. Ele está no melhor futebol do mundo e tem que aproveitar isso - afirma o goleiro, que marcou 41 gols na carreira, contra 76 do são-paulino.

Mas a admiração maior é por Taffarel, que, assim como Higuita, teve seu auge no início da década de 90. Ele acha que o tetracampeão foi o responsável por uma nova geração de bons goleiros no Brasil.

E Roger Milla?

O goleiro bem que gostaria, mas não vai ficar para sempre marcado apenas pela plástica jogada do escorpião. Lado a lado com a acrobacia em Wembley, está a falha na Copa do Mundo de 1990. Higuita perdeu a bola ao tentar driblar Roger Milla, que classificou Camarões para as quartas-de-final (assista ao vídeo ao final da matéria).

Agência
O goleiro Higuita em sua versão mais conhecida, antes da cirurgia plástica

Ele afirma que não se arrepende do drible. Aliás, não se arrepende de coisa alguma.

- Com o passar do tempo, aprendi a ter responsabilidade, a ver quem estava do meu lado e quem não estava, a perceber o que se pode fazer e o que não se pode. O fato de arriscar me levou a momentos bons e a fracassos. Errei e acertei. Agora apenas trato de cometer o menor número possível de erros.

As ousadias de Higuita também estão presentes na vida pessoal. Em 2005, ele participou do reality show "Cambio Extremo" e passou por uma cirurgia plástica - radical, como se pode ver pelas fotos desta matéria.

- Muita coisa mudou depois que fiz o programa, seja como pessoa, marido ou amigo. A mudança não foi apenas física, mas espiritual também - conta, sem entrar em detalhes. - Aí eu teria de estender a entrevista por 30 minutos.

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Guaros está em quarto lugar na Venezuela

Guaros, segundo ano de vida

Higuita defende hoje um time que mal completou dois anos de fundação e faz sua estréia na elite venezuelana. O Guaros foi fundado em 2006 e conseguiu a promoção ao terminar a Segundona da temporada passada na vice-liderança. Atualmente, está na quarta colocação.

O time da cidade de Barquisimeto (no estado de Lara) representou a volta de Higuita ao futebol após dois anos e meio parado. No fim de 2004, ele foi suspenso depois que um exame antidoping deu positivo para cocaína quando atuava pelo Aucas, do Equador.

Globo Esporte

1 comentários:

  willian

12:18 PM

Sempre gostei muito de ver o Higuita jogar, mas não podemos esquecer Jorge Campos e Chilavert.
Esse três além de folclóricos eram execelentes golerios.

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