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Castanha, o cara


Massagista evita vitória do CRB

Para jogadores, treinadores e, mesmo, para os “cartolas”, a fama no futebol é coisa relativamente fácil. O jogador porque faz um gol ou defende um pênalti e evita a derrota do seu time. Os “cartolas” porque aparecem nas rádios, jornais e, até televisão, concedendo entrevistas e falando sobre seu clube. Mas outras profissões, ainda que importantes no futebol, a fama não existe. Por exemplo, para um massagista, que cuida dos músculos dos atletas, que os prepara para os jogos, tudo não passa de rotina. A fama e a glória não existe para os massagistas, mesmo nas alegrias de uma vitória. Muitas vezes, o recado do treinador é dado pelo massagista com rapidez e oportunismo, e pode transformar a sorte de uma partida. Ninguém duvida que os massagistas além de massagear pernas famosas, muitas vezes, se tornam confidentes de seus jogadores.

Entretanto, alguns massagistas, ganham manchetes no noticiário esportivo, graças a uma ação deliberada ou surpreendente que cometeu. Um desses casos aconteceu em Alagoas envolvendo Cícero Lopes de Araújo, o popular Castanha, que foi massagista do CSA por mais de dez anos. Um caso curioso que ganhou notoriedade por ter criado uma polêmica incrível. Foi num clássico CRB x CSA, ocorrido no dia 8 de abril de 1976, no Trapichão. O jogo era válido pelo quadrangular decisivo do primeiro turno. O vencedor seria campeão do turno. O juiz era Pedro Rufino. O jogo estava empatado em 1x1. Então aconteceu um ataque do CRB. O lateral Espinosa fez um cruzamento para a área azulina e o goleiro Paulo Sérgio saindo precipitadamente, não segurou a bola que caprichosamente sobrou para o ponteiro Silva. Era a chance do gol da vitória regateana. Silva vinha chegando e chutou em direção as redes azulinas. Foi no momento exato em que o massagista Castanha se aproximava da meta de Paulo Sérgio para transmitir um recado do treinador. Vendo que o chute de Silva tinha endereço certo, não pensou duas vezes, entrou no gramado e, junto ao poste lateral direito, não deixou a bola entrar no gol do CSA, dando um chute em direção ao meio campo.

A torcida do CSA vibrou como se seu clube tivesse marcado um gol. A torcida do CRB ficou revoltada. Todos queriam o gol que parecia iminente. Como a bola não ultrapassou a linha de meta, o juiz não confirmou o tento, mas expulsou o massagista Castanha. O caso durou muitos anos nos noticiários esportivos e causou debates violentos entre as duas torcidas de Alagoas. Um acontecimento inusitado, no qual, pelo primeira vez um massagista ganhou notoriedade e fama.

Museu dos Esportes

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