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O Clássico da Vergonha

Clássico da Vergonha entre Avaí e Figueira completa 37 anos

Nesta terça-feira é aniversário da partida em que 22 jogadores foram expulsos

Domingo, no clássico 384 entre Figueirese e Avaí, o árbitro Luiz Orlando de Souza teve trabalho. Num jogo disputado, ora com lances violentos, o juiz da partida distribuiu nove cartões amarelos e expulsou quatro jogadores.

Os socos de Élton em Marquinhos e de Asprilla em Bebeto, a confusão do final da partida e os 13 cartões levantados pelo árbitro mancharam o jogo, mas não foram nada em comparação à partida de 1º de abril de 1971, a de número 181 entre os dois times, que passou para a história como o Clássico da Vergonha.

Há exatos 37 anos, depois de uma briga generalizada, não sobrou ninguém dentro de campo: os 22 jogadores foram expulsos. O jogo era amistoso, em homenagem à "Revolução Democrática" de 1964, e acabou aos 10 minutos do segundo tempo, com o placar de 0 a 0.

Briga começou em uma disputa de bola

A confusão começou quando o centroavante Cláudio, do Figueirense, e o zagueiro Deodato, do Avaí, se desentenderam numa disputa de bola e começaram a brigar. Antes que o árbitro da partida, Gilberto Nahas (foto), conseguisse tirar os dois de campo, os demais jogadores partiram para a violência.

— Não tinha o que fazer. Simplesmente eu peguei o cartão vermelho, girei no ar para todos os lados e disse 'tá todo mundo expulso' — relembrou Gilberto.

Interrogado se faria o mesmo se a partida fosse por algum campeonato, o ex-árbitro responde de primeira:

— Sim, faria a mesma coisa. A regra tem que ser cumprida.

Militares e cartolas chateados

Irritados com a atitude de Gilberto Nahas, os militares, que estavam sendo homenageados no amistoso, foram ao vestiário pressionar o árbitro. Como era sargento da marinha, ele recebeu recados do almirante, seu comandante, para que continuasse com o amistoso, até mesmo porque o governador estava presente no estádio. Não teve jeito.

— Eu disse que ali dentro de campo eu era a autoridade máxima e que tinha que cumprir as regras da Fifa — garantiu o ex-árbitro.

Alguns cronistas esportivos da época dizem que, pela insubordinação, o juiz ficou preso uma semana. Nahas garante que só tomou um dia de punição.

— Não fui preso. Apenas fiquei um dia impedido de baixar a terra, que era como a gente chamava para ficar sem poder voltar para casa — contou.

Quem também não gostou da suspensão do jogo foram os dirigentes de Avaí e Figueirense. Eles estavam preocupados porque, no final de semana seguinte, começaria um campeonato. Se todos fossem expulsos, deveriam pegar, pelo menos, um dia de suspensão. Muitos foram os pedidos para que Gilberto Nahas voltasse ao jogo.

Na semana seguinte, num julgamento na Federação Catarinense de Futebol (FCF), todos os 22 atletas foram absolvidos. Os advogados argumentaram que o juiz deveria apresentar um cartão para cada um dos atletas e colocar na súmula o número de cada jogador expulso. No documento, o juiz apenas relatou que "todos os jogadores foram expulsos".

Avaí (0)Figueirense (0)
Egon; Paulinho, Deodato, Juca e Raulzinho; Moacir, Rogério e França; Mickey, Cavallazzi e Carlos Roberto.
Técnico: Nelinho.
Jocely, Arnoldo, Luiz Carlos, Beto, Fernando, Pelé, Jair, Arildo, Caco, Cláudio e Paulinho.
Técnico: Ítalo Arpino.
Clássico 181
Árbitro: Gilberto Pedro Hoffmann Nahas
Local: Estádio Adolfo Konder
Data: 1º de abril de 1971

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