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Retrospectiva 2008

futebol não é programa de índio

Com os estádios fechados e os jogadores na maior manguaça, seguem alguns posts que ilustram o que foi o ano de 2008 do Folclore da Bola.

janeiro - Comentando Fatos: Uma transcrição e uma análise profunda de um comentário esportivo.
fevereiro - Batendo Pênaltis: aprenda a bater pênaltis com o Animal.
março - ET`s liberados: a influência de Steven Spielberg nos estádios.
abril - Fim de Carreira Melancólico: um registro para um fato que passou batido na mídia.
maio - Grandes Folclóricos, Almir Pernambuquinho: excelente matéria da revista Placar sobre uma grande figura do folclore da bola.
junho - Flu, o homenageado: o velho truque de tirar sarro por meio de terceiros.
julho - Pay Per Xing: simulando um estádio dentro de casa.
agosto - Bem intencionado: Ronaldinho Gaúcho prova mais uma vez que é um amante a moda antiga.
setembro - Influência no Humor: uma das piadas fictícias mais reais que já ouvi sobre futebol.
outubro - Mil Frases do Futebol, Série Especial: relatos de um chato gritando na minha frente nas arquibancadas.
novembro - Ronaldo e a Sombra: o fenômeno mostra suas habilidades manuais.
dezembro - Uma gelada com o Mafra: o prazer de tomar uma cerveja com uma lenda viva do futebol.

Veja a retrospectiva 2007

Feliz Natal

Troca Troca de técnicos

Dorival Jr no Vasco... combina?

No nosso futebol Brasileiro trocar de técnico a cada campeonato é algo bastante esperado. No final do ano as contratações tomam conta do noticiário esportivo? Tá, e daí? E daí é que o engraçado que, por uma força magnética, logo logo os velhos comandantes retornam aos clubes de sempre. Por acaso você tem dúvida que em 2009:

1. Antônio Lopes voltará ao Vasco?
2. Renato Gaúcho ao Fluminense?
3. Leão ao Santos?
4. Mauro Ovelha ao Ibirama?
5. Roberto Cavalo ao Gama/Bahia/Fortaleza/etc?
6. Joel Santana ao Flamengo?
7. Cuca ao Botafogo?
8. Tite ao Grêmio/Inter/Grêmio/Inter/Grêmio/Inter?

Então é só esperar...

A Outra Final

Em 30 de junho de 2002, praticamente todos os olhos do mundo voltavam-se para a cidade japonesa de Yokohama. Naquele dia, Brasil e Alemanha fariam a final da Copa do Mundo de 2002, e um certo Ronaldo provaria ao mundo que era brasileiro e não desistia nunca, um grande exemplo de recuperação e perseverança. Mas ali mesmo na Ásia, na manhã daquele dia, ocorreu um evento que praticamente não chamou a atenção de ninguém, num pequeno país montanhoso…

Enquanto os dois melhores do mundo decidiriam quem ficaria com a coroa, acontecia outra decisão, bem menos glamourosa. Que foi batizada de “A outra final”. Uma história sobre como o futebol pode unir os povos globalmente.

A história começa após as eliminatórias européias para a Copa de 2002. A tradicional seleção holandesa não conseguira sua classificação para o Mundial, decepcionando seus fãs. Um cineasta holandês chamado Johan Kramer, triste por não poder acompanhar sua seleção na Copa, teve uma idéia: E se as duas piores seleções do mundo se enfrentassem numa decisão própria de Copa? Nascia ai a produção de um documentário sobre “A outra final”, o jogo entre as duas piores seleções do mundo.

Kramer então consultou o ranking da FIFA, e foi direto ao final. Lá constava:

202 – Butão

203 – Montserrat

A idéia não poderia reunir países mais diferentes.

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BUTÃO

Butão é um pequeno país asiático, situado no meio do Himalaia, entre a Índia e a China. Tem como algumas de suas características a forte influência do budismo, o fato de ter sido um dos últimos países a abrir as portas para o mundo (A televisão só chegou ao Butão em 1999), e ser o único país no mundo onde a qualidade de vida do povo é medida pelo chamado Índice nacional de Felicidade. Muito do isolamento dos butaneses deve-se ao grande cuidado na preservação de suas tradições.

O esporte nacional do Butão é o arco e flecha. A Federação Butanesa existe desde 1970, mas só foi oficializada em 1983. Filiou-se à FIFA em 2000, e no mesmo ano, sofreu sua pior derrota, 20 a zero para a “poderosa” seleção do Kuwait.

Num país cravado no Himalaia como o Butão, a construção de estádios requer tempo e dinheiro, e a falta de locais para a prática do esporte é um problema crônico. Os campos tem que ser escavados nas encostas das montanhas. Uma trabalheira sem tamanho, que só a paixão pelo esporte pode superar.

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MONTSERRAT

Montserrat é uma das centenas de ilhas caribenhas. Uma vez conhecida como “A esmeralda do Caribe”, tem sua história marcada por um triste fato. Erupções vulcânicas.

Desde 1995, o vulcão Soufriere Hills entrou em atividade ininterrupta. A capital, Plymouth, ficou soterrada em 12 metros de cinzas, e a metade sul da ilha permanece inabitável desde então. A população que já era pequena em 1994 (13000 habitantes), começou a se expatriar (Atualmente, todos os cidadãos de Montserrat tem cidadania britânica garantida), e hoje, na parte habitável da ilha, restam 4800 habitantes. Uma das cenas mais emocionantes do documentário são as imagens do antigo estádio nacional de Montserrat, totalmente destruído e recoberto por cinzas.

Passando para o lado futebolístico, a coisa fica pior, pois o esporte favorito é o cricket. E com todas essas dificuldades, após 1994, a seleção nacional teve pouquíssima atividade. Na época do convite para o jogo contra Butão, nem uma base de time formado havia, num país que além da redução forçada do espaço para possível construção de campos, possuía apenas 150 jogadores amadores, alguns profissionais, e apenas 5 times no Campeonato Nacional. A seleção incluía policiais e até um membro do Parlamento.

Curiosidade: A canção “Hot hot hot”, que animava um antigo programa de auditório do Silvio Santos aqui no Brasil, é uma espécie de tema nacional em Montserrat.

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ORGANIZAÇÃO DO JOGO

Kramer solicitou autorização da FIFA e enviou convites para as duas federações. Provavelmente foi a primeira vez que um país ouviu falar do outro, culturas mais que distintas e um mundo inteiro de distância. Ficou acertado que como o time butanês estava á frente do ranking, seria o mandante. Isto acabou significando um certo pesadelo para o time de Montserrat.

O governo e a federação local hesitaram em aceitar o convite, porém acabaram capitulando pela oportunidade de um marketing positivo. Pois para um país que só foi notícia no mundo por causa de erupções vulcânicas catastróficas, aquele jogo em pleno dia de final de Copa, seria uma bênção.

A viagem durou exatos 6 dias. De Montserrat para Antigua, dali para St Maarten, então para Curaçao (todas no Caribe), para Amsterdam (Holanda), para Bangkok (Tailândia), Calcutá (Índia) e finalmente Paro (Butão). De Paro, um ônibus os levou para Timfu, a capital e local do jogo.

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Tudo certo? Nada disso, além de todo o desgaste da viagem, o time ainda teve 7 jogadores com problemas relativos a altitude (Timfu fica a 2500m) e disenterias. Depois os brasileiros reclamam de jogar na Bolívia. Isso não impediu os jogadores de Montserrat de fazer turismo. Por onde andavam, eram seguidos por multidões, e pasmem, até distribuíam autógrafos. Até uma festa com karaokê entre os jogadores de ambas seleções foi organizada. Foi assim que os butaneses conheceram o “Hot hot hot”.

Inacreditavelmente, o técnico da seleção butanesa havia morrido. E Paul Morris, técnico de Montserrat, pedira demissão. Ambos fatos ocorridos no mesmo dia. Os times jogariam praticamente sem treinador, ou alguém improvisado. Mas a conferência de imprensa pré-jogo simplesmente foi a maior já ocorrida em terras butanesas.

O local do jogo era o Estádio Changlimithang, que naquele dia abrigou 20000 pessoas, incluindo o monarca butanês, que dizem, foi um grande goleiro. Ao invés de placas de publicidade nas laterais, como na final “rica”, haviam faixas com dizeres religiosos em dzongka (língua oficial do Butão). O ingresso, que na final rica chegava a 800 dólares, foi gratuito. Cachorros invadiam o campo, e isso aconteceu até durante a partida.

Uma forte chuva quase impediu a realização da partida. E após diversas cerimônias tradicionais da cultura budista, enfim, o juiz inglês Stephen Bennet, acostumado aos jogos da Premier League, deu o apito inicial.

O JOGO

A última coisa que se poderia exigir de um jogo entre Butão e Montserrat é o nível técnico, provavelmente a maioria das peladas aqui no Brasil dá de 10 a zero. Enfim, após dois ataques de Montserrat, Butão consegue um escanteio. Na cobrança, a zaga rebate para o alto, e o atacante Wangyel Dorji ganha no alto, cabeceando fraco. A bola bate num morrinho artilheiro (é correto falar “morrinho” no meio do Himalaia?) e engana o goleiro Cecil Lake (mas que foi frango, foi). 4 minutos de jogo, 1 x 0 Butão.

Assistir o vídeo do jogo é engraçado. Num lance, o goleiro Lake tenta sair com a bola, mas ao chutar, entrega no pé de um jogador butanês. Este, mesmo com apenas um zagueiro na frente, dá um peteleco na bola, praticamente passando para o zagueiro, sem o goleiro atrás. Patético. Mas vale a festa em si. O primeiro tempo termina 1 x 0.

Em meio a furadas, entradas duras e outros lances menos classificáveis, aos 12 minutos do segundo tempo, uma falta na entrada da área para o Butão, e novamente Wangyel Dorji cobra com perfeição. 2 x 0. No vídeo tape, nota-se que o goleiro de Montserrat definitivamente faltou à aula de como armar uma barreira. Ridículo.

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Nessa altura do campeonato, os jogadores de Montserrat já estavam com a língua para fora. Após um cachorro desfilar tranquilamente pelo campo, o time butanês avança pela ponta, a bola é cruzada para a área e Dinesh Chhetri, um jogador que usa uma bandana multicolorida, chuta de bico. 3 x 0 Butão. A torcida delira com a provável 1ª vitória internacional do país. Decorriam 30 minutos do segundo tempo.

E dois minutos depois, Wangyel Dorji, o Obina do Himalaia, chuta, a bola desvia num zagueiro e trai o goleiro Lake. 4 x 0, que seria o placar final.

Ao fim do jogo, uma grande festa dos jogadores de ambos os times. Uma taça partida ao meio foi entregue e erguida por ambos capitães, Wangyel Dorji e Charles Thompson, simbolizando o espírito esportivo. Todos se reuniram para danças típicas butanesas ainda no gramado. E seis horas depois, os dois times assistiam juntos à Brasil x Alemanha.

Fica aí o exemplo da união que o esporte pode trazer, unindo dois países com histórias e dramas tão diferentes, que jamais teriam ouvido falar um no outro, num elo de amizade eterna.

PS: Quem quiser assistir o documentário acesse http://br.youtube.com/user/tangpa . Os vídeos estão sob o título bhutan:football, em 8 partes. O jogo em si, está a partir do final da parte 6.

Publicado por Mauricio Garcia no blog Papo de Homem

Gozações de rebaixamento

Aqui em Floripa o assunto da moda entre os torcedores é comentar (e por alguns tripudiar) o rebaixamento do Figueirense. Com customizações regionais, grande parte das tiradas são aplicadas a quaisquer rebaixados. O video abaixo é uma caprichada compilação, em especial com a coincidência da letra do Roberto Carlos (veja em 1min45seg):

"Mas deixei a luz entrar primeiro..."

neste momento é mostrada a frustação da Lusa, rebaixada, dando a impressão de estarmos ouvindo:

"Mas deixei a Lusa entrar primeiro..."






Essa turma não perdoa

Palpitão do Folclore da Bola - conferindo

No dia 21/11 informei aqui alguns palpites:

Sao Paulo não perderia para o Vasco e seria campeão: CONFIRMADO

Rebaixados

Nautico - UNICO ERRO, acabou sendo o Figueirense, fato lamentável para minha cidade :(
Vasco - CONFIRMADO
Portuguesa - CONFIRMADO
Ipatinga - CONFIRMADO

O Blog acabou acertando 80% das previsoes. Farei as de 2009 ainda este ano. Quanto maior a antecedência, maior a credibilidade.


Rebaixamento do Figueirense foi algo surpreendente

Ganhando uma grana com o Folclore da Bola


O Folclore da Bola antecipa 27 apostas da loteca gastando apenas um duplo. Dos 14 jogos, 3 já estão definidos (veja volante acima), então basta gastar mais uma graninha em duplos e triplos nos demais jogos, muitos deles também óbvios, para levar uma bolada pra casa.

Boa sorte!

NOTA: OS PALPITES NAO DERAM MUITO CERTO, MAS QUEM DISSE QUE GANHAR DINHEIRO É TUDO?

Pisando na bola

Uma gelada com o Mafra

Fazendo o tradicional esquenta no bar do Chapecó antes da despedida do Avaí da Série B, dei espaço em minha mesa a uma família que depois vim a saber se tratar dos netos e do avô Mafra, personagem da história do Avaí e Figueirense.
O Mafra é uma figura muito comunicativa e simpática, com sua experiência de 82 anos de vida. Dividi com ele algumas Antarcticas, enquanto me contava as histórias do seu tempo de atleta.
Sua carreira é muito peculiar: defendeu o Figueirense como goleiro, pegando pênalti em clássico e atuou como lateral do Avaí, marcando um gol também num clássico. A história ele narra, com muito orgulho, no video abaixo:


video

Mafra ainda contou que seu ídolo era o Adolfinho, segundo ele maior goleiro de todos os tempos. Lembrou também que na época recebeu proposta para defender o Santos, porém desistiu da idéia para não abandonar sua noiva. Seus netos, agradecidos, estavam ao lado para conferir a história.

Se o Rogério Ceni pensa que é muito versátil, é porque não conheceu o Mafra!